A Ilha

“ É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós."


   Já faz um tempo, um bom tempo e tudo mudou ao mesmo tempo que continua igual. Nada em minha vida é um terço do que já foi. Depois de perder você, a minha adolescência e a minha vida, depois de mergulhar nas sombras e quase ficar com elas, depois de um difícil recomeço e de chegar próximo ao fim, depois de deixar a todos que amo e partir, uma coisa eu não consegui deixar, você. Seja em sonhos ou em memórias, as que aconteceram ou as que inventei, simplesmente continua aqui pra me fazer lembrar. E não é que eu te ame, pelo menos eu acho que não, acho... Não sei o quê, mais, algo em mim persiste em você. 
Eu não sei se você ainda vem aqui ler... As vezes tenho a sensação que só pensava em mim enquanto eu pensava em você e agora que deixei de pensar tenho a sensação de que deixou também. 
Mas o mais provável é que nunca tenha se dado o trabalho nem de chorar quando acabamos, é provável que eu tenha inventado nosso "grande amor" sozinha! É... é bem provável. E sabe o que é mais engraçado? Não ligo, não dou a mínima se tudo que aconteceu entre nós veio apenas de mim. Porque finalmente entendi que o meu grande amor nunca foi você e sim a nossa historia, essa, que parte foi de verdade e a outra parte foi só eu brincando de escrever utopias. Escrever sobre o que me abre feridas sempre me ajudou. O meu defeito só estava em me odiar por isso, odiava ficar sofrendo enquanto você andava se esbaldando em outras bocas. Isso me destruía e como destruía. Então, resolvi me deixar e tentar ser alguém normal, mudei e me esqueci. Me transformei naquela que todos queriam que eu fosse. A menina alegre, estupida e cética. E pela primeira vez vivi no seu mundo, no mundo de vocês “normais”. É... funcionou e não doía mais, mas aquilo ou melhor, aquela, não era eu. E a falta de mim ficou grande.  Aquela menina toda torta, quebrada e chorona que as pessoas julgavam como fraca, começou a me parecer tão forte e o pior é que, essa nova menina se deitava ainda mais insatisfeita e vazia do que a outra me fazendo ter certeza que essa nova “eu” não era a "eu" que devia ser. Sabe... algumas pessoas têm sorte, sorte por serem diferentes e por verem o mundo de um jeito especial, de um jeito único. Eu sou uma dessas pessoas.
E daí que quando fico triste mergulho em escuridão? Se quando fico feliz não a luz que brilhe mais que meus olhos. Corro, choro, canto, grito e esperneio sou a rainha do melodrama e isso é LINDO, por que sou eu! Não devemos fugir de quem somos por pior que possa parecer, ser o que nasceu pra ser é sua única chance de ser feliz.


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